Badoo e a inversão de atitudes

O que o site de relacionamento Badoo,o script e o scoop* tem em comum? Ambos tem como principal objetivo a busca de encontros e de novas experiências. Lembro de usar o script bem mais que o scoop e de ir com amigos a cyber procurar e marcar “barcas”. Mas aquele tempo do script e do scoop eram tempos de certa ingenuidade juvenil de marcar encontros com pessoas desconhecidas uma vez que o script e o scoop não ofereciam suporte a fotos. A alternativa era ter bastante “lábia” para conquistar a garota para ele lhe dar o endereço do fotolog ou flogão (caramba alguém ainda lembra deles?).

Não lembro se em 2004/2005 já existia o google e se tinha ele não era popular como hoje.

 

A diferença entre o Badoo e o scoop/script é em relação a quem é o “caçador”. Nas redes de IRC (Internet Relay Chat), geralmente quem tomava a frente era os rapazes já no Badoo quem toma iniciativa pelo que estou observando são as garotas sem nenhum pudor elas partem pra cima.  Por que será? Talvez a distância proporcione uma certa segurança. Afinal elas podem muito bem falar/digitar o que quiser pois não haverá contato físico pelo menos a internet de agora não permite isso ou talvez seja uma questão de sentir que está no comando – eu procuro quem eu quero, mostro o que eu quero deixo de falar também. Sair do anonimato também seria uma opção; os rapazes assim como as garotas tendem a falar de pessoas que eles/elas julgam interessante.

Falei anteriormente que fazíamos encontro no “escuro” acredito que com o fim trágico da jovem Bruna, que conheceu um homem pela internet e que acabou sendo assassinada, acabou por diminuir os encontros as garotas ficaram receosas de encontrarem com um novo anjo dark se não me engano o nickname utilizado pelo técnico de informática de matou Bruna.

Mas até quando um relacionamento pode ser saudável, se esconder atrás de um monitor não seria covardia de enfrentar a realidade? Ou será apenas mais uma forma de sentir outras sensações e que sensações?

Interessante uma pesquisa realizada em 2008 pela psicologas Alessandra dos Santos Menezes Dela Coleta e Marilia Ferreira Dela Coleta e pelo professor José Luiz Guimarães da Universidade Estadual de São Paulo – UNESP e FCL.

 

O AMOR PODE SER VIRTUAL? O RELACIONAMENTO AMOROSO PELA INTERNET

RESUMO. Este estudo teve como finalidade contribuir para o entendimento de uma nova modalidade de relacionamento – o virtual. Dele participaram 50 usuários brasileiros da Internet, que responderam a um questionário contendo 31 questões sobre opiniões e comportamentos relacionados a afetividade e relacionamento virtual. A amostra foi composta, em sua maior parte, por homens, adultos jovens, solteiros, sem filhos, dos níveis socioeconômicos médio e alto. Verificou-se que os sujeitos acreditam na possibilidade de relacionamentos virtuais em uma fase inicial, no entanto relataram necessidade do contato face a face para sua continuidade. Observou-se também alta freqüência de usuários de chats de conversação considerados viciados na Internet. A partir dos resultados obtidos, concluiu-se que não houve mudanças comportamentais e afetivas radicais com essa nova forma de relacionamento, mas os dados sugerem a importância de mais pesquisas para esclarecer as conseqüências do relacionamento virtual e do uso exagerado da Internet como forma de comunicação social.
Palavras-chave: Internet, relacionamento virtual, bate-papo.

(…)

Lopes (2004), em seu estudo, constatou que a
regra “nunca te vi, sempre te amei” não serve para
“chatters” brasileiros, pois 72% encontram-se
pessoalmente pelo menos uma vez e, destes, apenas
60% continuam o relacionamento. A autora verificou
que 79% costumam acessar a rede de suas casas, 60%
mantiveram a amizade fora da Internet, 63% acessam
pelo menos uma vez ao dia, 75,1% são solteiros, 49%
tinham entre 15 e 24 anos, 37,5% já namoraram
virtualmente e 72,1% já conheceram pessoalmente
amigos virtuais. Além disso, os bate-papos têm a
presença de 71% de pessoas do sexo masculino. Ao
que parece, eles são mais arrojados. O “internauta” se
encontra em salas, faz parte de comunidades, é fiel aos
amigos, mas não se revela inicialmente.

 

(…)

No que se refere aos relacionamentos virtuais, mesmo estando em um site em que se buscava um relacionamento virtual, em sua maioria, os casos (87,9%) foram descritos como relacionamentos surgidos ao acaso, pois os sujeitos afirmaram que estavam no site apenas para flertar. Segundo um dos entrevistados, “a Internet foi o ponto de partida… fomos teclando alguns meses… depois começamos aconversar pelo telefone. Em seguida nos conhecemos pessoalmente, e adeus Internet”.

(…)

Finalmente, foi perguntado aos sujeitos se eles acreditavam que o namoro pela Internet poderia dar certo, ao que a maioria dos sujeitos (68%) respondeu afirmativamente, sendo interessante essa observação para a presente pesquisa. “O namoro pela Internet pode dar certo, mas é preciso também que, com o tempo, o relacionamento saia das telas do computador e se torne real, porque ninguém vive somente de ilusões, ou seja, as pessoas têm todo o direito de se conhecer através da Internet, mas viverem somente em função dela para buscar se relacionar com alguém, se torna um fato bastante preocupante.”; “acho que devemos ter muito cuidado com esse tipo de relacionamento, porque às vezes a pessoa com a qual estamos nos relacionando pode passar uma impressão nem sempre verdadeira e por isso, a idealizamos de um jeito e quando a conhecemos, podemos ter uma frustração…”.

Atualmente acredito que mudou foi a participação das mulheres em sites de relacionamento vale lembrar que essa pesquisa é de 2008 o que será que aconteceu durante esses dois anos para a mulherada ter partido pra cima?

*Scoop: O Avira detectou vírus no arquivo mas se voce quiser baixar, por conta e risco.

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